Backrooms: Um Não-Lugar: O Filme da A24 Que Traz a Creepypasta Mais Famosa da Internet Para os Cinemas
ENTRETENIMENTO
5/20/20265 min read


Se você já passou tempo em fóruns, passou por comunidades de terror na internet ou acompanha a cultura nerd, provavelmente já esbarrou nos Backrooms em algum momento. Aquela sensação perturbadora de um corredor amarelado, infinito, com carpete úmido e luz fluorescente piscando um lugar que parece familiar demais, mas que ao mesmo tempo não deveria existir. Pois bem: esse pesadelo coletivo finalmente chega às telonas, e com uma produção de peso.
Backrooms: Um Não-Lugar estreia nos cinemas brasileiros em 28 de maio de 2026, com distribuição da Imagem Filmes. O longa é uma produção da A24 a mesma distribuidora por trás de filmes de horror aclamados como Hereditário e A24 e foi dirigido por Kane Parsons, o jovem criador que praticamente sozinho transformou essa lenda da internet em um fenômeno audiovisual.
O Que São os Backrooms? Entenda a Creepypasta
Antes de falar do filme em si, vale dar um passo atrás para quem não conhece a origem de tudo isso.
Os Backrooms surgiram como uma creepypasta ou seja, uma história de terror criada e compartilhada na internet. A lenda começou com uma foto tirada em algum lugar desconhecido: um ambiente de escritório vazio, com paredes amarelas, carpete úmido, teto baixo e aquelas luzes fluorescentes que nunca param de zumbir. A imagem transmitia uma sensação muito específica: a de estar em um lugar que parece saído de um sonho ruim, sem saída, sem janelas, sem ninguém.
A partir daí, a comunidade foi construindo um universo inteiro ao redor desse conceito. Diferentes "níveis" dos Backrooms foram imaginados e catalogados, cada um com suas próprias regras e criaturas. O fenômeno ganhou força especialmente após Kane Parsons, então com apenas 16 anos, postar uma websérie no YouTube em 2022. O vídeo viralizou de forma impressionante e rendeu ao garoto um contrato com a A24. Sim, você leu certo.
O Filme: Sinopse e Elenco
Backrooms: Um Não-Lugar se passa em 1990 e acompanha a história de Clark (interpretado por Chiwetel Ejiofor, de 12 Anos de Escravidão), um vendedor de móveis que faz uma descoberta perturbadora no porão de sua loja: um portal que dá acesso a um labirinto inquietante, composto por ambientes intermináveis que lembram escritórios comuns, mas que não são nada comuns.
Clark se vê fascinado e assustado ao mesmo tempo. Ele convence dois funcionários a cética Kat (Lukita Maxwell) e o namorado dela, Bobby (Finn Bennett) a ajudá-lo a mapear essa extensão impossível de salas e corredores. Ruídos estranhos sugerem que algo de outro mundo pode estar espreitando nas sombras.
Quando Clark desaparece, sua terapeuta, a Dra. Mary Kline (vivida por Renate Reinsve, de Valor Sentimental), acaba sendo arrastada para esse universo enquanto tenta encontrá-lo e ao mesmo tempo enfrenta seus próprios traumas.
O elenco impressiona: tanto Chiwetel Ejiofor quanto Renate Reinsve são indicados ao Oscar, o que já diz muito sobre o nível do projeto.
Kane Parsons: O Diretor que Saiu do YouTube para a A24
Uma das histórias mais interessantes por trás desse filme é a trajetória do próprio diretor. Kane Parsons era um adolescente comum quando começou a publicar vídeos sobre os Backrooms no YouTube, em 2022. Seus curtas-metragens, feitos com uma câmera simples e muito talento criativo, capturaram perfeitamente aquela sensação de desconforto e desorientação que a creepypasta propõe.
A repercussão foi tão grande que a A24 uma das produtoras mais respeitadas do cinema independente americano o contatou para desenvolver um longa-metragem baseado no universo que ele mesmo havia ajudado a popularizar. O resultado é este filme, que tem roteiro de Will Soodik, conhecido por seu trabalho em Westworld.
Em entrevista, Parsons falou sobre o que os Backrooms representam para ele de uma perspectiva mais filosófica:
"Para mim, Backrooms é o resultado acumulado de uma exaustão social com essa monocultura industrializada na qual estamos mergulhando. Padrões e repetições na sociedade vão se tornando uma espécie de privação sensorial, e em algum momento o cérebro tenta encontrar sentido em todo aquele ruído incoerente."
É uma visão que vai bem além do terror superficial. Parsons enxerga os Backrooms como uma metáfora para o isolamento, o conformismo e a paranoia que surgem quando as pessoas se desconectam da realidade ao seu redor. Algo bastante pertinente nos dias de hoje.
Por Que Esse Filme Merece Atenção?
Há alguns motivos pelos quais Backrooms: Um Não-Lugar se destaca entre os lançamentos de terror de 2026:
1. A origem cult é autêntica Diferente de muitas adaptações que pegam uma propriedade conhecida e a descaracterizam completamente, este filme é uma expansão do universo criado pelo próprio Parsons. Quem conhece a websérie terá a satisfação de ver esse mundo ganhar uma nova dimensão e quem chega sem saber nada do assunto vai encontrar uma experiência de horror bem construída.
2. A A24 como garantia de qualidade A produtora tem um histórico consistente com filmes de horror que vão além do susto fácil. Hereditário, Midsommar, A Bruxa todos são exemplos de terror que ficam na memória muito depois dos créditos. Há razões para acreditar que este filme seguirá na mesma linha.
3. Elenco de primeira linha Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve são atores com trajetórias sólidas e capacidade de entregar performances emocionalmente complexas. Isso sugere que o filme não aposta apenas no visual perturbador, mas também em personagens com camadas.
4. Uma estética filmada em sets reais Segundo informações de produção, o filme foi filmado predominantemente em sets físicos, e não em ambientes gerados por computador. Isso contribui para aquela textura de realidade que a premissa dos Backrooms exige afinal, parte do terror do conceito vem exatamente de parecer um lugar real, mundano, quase reconhecível.
O Que Esperar da Experiência nos Cinemas?
Quem já assitiu aos vídeos originais de Kane Parsons sabe que o projeto tem uma linguagem visual muito própria: câmeras instáveis, sons ambiente perturbadores, silêncios estratégicos. A pergunta que muitos fãs estão fazendo é se essa essência vai se preservar em uma produção de maior escala.
Pelo trailer divulgado, a resposta parece ser sim. A atmosfera claustrofóbica, aquele amarelo desbotado e o zumbido constante estão lá. O desafio de Parsons foi expandir o universo sem perder o que faz os Backrooms serem tão desconcertantes: a sensação de um espaço que não deveria existir, mas que parece assustadoramente familiar.
A ambientação nos anos 1990 também é uma escolha inteligente. Além de afastar celulares e GPS da equação, ela reforça aquela estética de imagem degradada, granulada, que combina muito bem com o conceito visual da creepypasta
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